Sábado, 4 de Julho de 2009

Nem Ovídio Nem Coco Chanel

Fotografia de Filipe Franco

Ao atracar em Cannes com um tom de pele mais escuro do que o habitual, a francesa Coco Chanel conhecida por gostar de praia, ar livre e desportos, torna-se numa das primeiras mulheres com o atrevimento suficiente para se bronzear. Até essa altura, anos 20, o tom de pele distinguia na sociedade os ricos dos pobres, queimados pelo sol estavam os trabalhadores do campo e do mar, ao contrário dos abastados que possuíam rostos pálidos e protegidos.
Na Arte de Amar, Ovídio escreveu: “deixem os amantes serem brancos é a cor que condiz com o amor.”
Por esta razão, os romanos pintavam os rostos com giz, chegando mesmo a usar-se arsénico como branqueador, o que levava a muitos envenenamentos involuntários.
Por aqui nos Açores, a vida do bronzeado tem sido muito curta, não por querer seguir a ideia de Ovídio, ou por falta do atrevimento de Coco Chanel, mas sim porque os raios (mas que raio) do Deus Sol não se mostram.

Palavras Cruzadas(parte 2) - Onésimo Teotónio de Almeida

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Palavras Cruzadas parte 1 - com Onésimo Teotónio Almeida

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009



MR a "tirar as medidas" a Onésimo Teotónio de Almeida para a caricatura dum dos próximos " Autores a lápis de cores"

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Autores a lápis de cores 3 - José Medeiros



José Medeiros é realizador e cantautor, actor e encenador. Nasceu, vive e labuta nos Açores.

Foi "caçado" pelo caricaturista Mário Roberto com banca montada no Centro Comercial Solmar.

A arte da alegria


“Agora apenas uma paz profunda invade o seu corpo, maduro para todas as emoções da pele, das veias, das articulações. Corpo dono de si próprio, tornado sábio pela inteligência da carne. Inteligência profunda da matéria…do tacto, do olhar, do paladar. Deitada de costas na rocha, Modesta observa como os seus sentidos amadurecidos podem conter sem frágeis medos de infância todo o azul, o vento, a distância. Espantada, descobre o significado da arte que o seu corpo conquistou naquele longo, breve percurso dos seus cinquenta anos. É como uma segunda juventude, com a mais exacta consciência de ser jovem, a consciência de saber como gozar, tocar, olhar.” A Arte da Alegria, Goliarda Sapienza, Ed. Dom Quixote.

De criança paupérrima e abusada sexualmente pelo suposto pai, Modesta transforma-se em adolescente revoltada e imprudente, até que o ódio pela igreja e a percepção da hipocrisia a ensinam a ser astuta, dissimulada e manipuladora. Inteligente e extremamente sensual, Modesta cresce, como pessoa e como mulher, numa Sicília perpassada pelas duas Grandes Guerras do século XX, pela emergência do socialismo e do anarquismo, pela ascensão do fascismo e pelos movimentos feministas e de libertação sexual. Nada disso a impede de trepar socialmente, de dispor do seu corpo como lhe apetece, de se apaixonar sem constrangimentos de sexo, de ler livros proibidos, de viajar, de lutar contra a insignificância humana, de contrariar o curso da vida, de desafiar a morte, de não desanimar perante as desventuras e de se reconhecer em toda a sua plenitude. É esta a arte da alegria. A alegria que se encontra em “cada acto simples, em cada passo, em cada novo encontro… rostos, livros, ocasos e alvoradas, tardes de domingo em praias solarengas…”. A alegria que só é possível quando se sabe viver sem amarras, tendo consciência e aceitando a nossa existência, por mais controversa e difícil que seja. A arte do insaciável amor pela liberdade e pela vida.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Pina Bausch 1940-2009